A incompreensão de Pe. José Eduardo sobre a doutrina da indefectibilidade (de Nicolas Lisboa)

 


A doutrina da indefectibilidade Igreja significa perpetuidade, manutenção de sua identidade e finalidade escatológica, e nenhum desses três aspectos é negado em teoria ou em prática pelo tradicionalista, ao contrário do que Pe. José Eduardo quer imputar. A impossibilidade da totalidade dos fiéis se perder é parte da necessidade da perpetuidade, mas não se identifica com a possibilidade de desvio doutrinário da hierarquia na modalidade de ensino não infalível, já que a indefectibilidade da estrutura colegial e primacial da Igreja é uma "perfeição participada". Esse tem sido outro grave erro da apologética continuísta que repete opiniões teológicas sobre a segurança na adesão ao ensino magisterial como se tivesse o mesmo grau de autoridade vinculativa e presunção de verdade que uma doutrina autorizada.


A doutrina da indefectibilidade da Igreja, que diz que a Igreja não falhará em sua missão de salvar as almas, preservando a verdade do evangelho ao longo do tempo, não sustenta a exagerada tese continuísta jurídico-voluntarista de que seria impossível, sob pena de negar a promessa de Cristo, o erro cotidiano da maioria dos bispos no exercício de ensino do Magistério meramente autêntico.


Como a assistência divina nessa forma de Magistério não é garantida como nos ensinos infalíveis do Magistério Extraordinário e no Magistério Ordinário e Universal, o ensino está sujeito a uma possibilidade remota de erro, independentemente do grau e do tempo de concordância entre as autoridades eclesiásticas (embora o tempo e o consenso diminuam proporcionalmente a probabilidade de erro).


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