Pe. José Eduardo e a ideologia do continuísmo passapanista (de Nicolas Lisboa)
O continuísmo passapanista, como o do Pe. José Eduardo, não é apenas fruto de um erro de raciocínio doutrinário ou da falta de compreensão sobre a natureza da fé católica, mas é também uma ideologia religiosa. Por isso, dificilmente um passapanista se convence, mesmo diante de tantas evidências. A ideologia religiosa, assim como a política, achata a consciência com esquemas formais e preconcebidos que ignoram a realidade, mantendo-se independentemente das informações apresentadas e da percepção sincera da fé. Por exemplo, quando o passapanista lê no Catecismo que o Papa é o Vigário de Cristo, que o Magistério deve ser obedecido e que o leigo não tem poder judicial na Igreja contra a hierarquia, sua reação é reproduzir isso mecanicamente e de forma positivista. Ele ignora a realidade prática da Igreja e as questões factuais que o tradicionalista expõe, agarra-se a preceitos abstratos e vive um "catolicismo virtual" que nada soluciona, apenas joga os problemas para debaixo do tapete. É irônico ver ex-alunos de Olavo de Carvalho, que viveu combatendo o problema do ideologismo de consciência na educação moderna, caírem nesse simplismo no âmbito religioso.
O passapanista prega a "missa nova bem celebrada", conforme o Missal de Paulo VI, em oposição ao tradicionalista, ainda que as missas sejam uma palhaçada e repletas de abusos litúrgicos. Fala de uma "leitura ortodoxa do Vaticano II", segundo o princípio hermenêutico de Ratzinger, mesmo que o ensino conciliar venha sendo instrumentalizado por progressistas para minar a doutrina tradicional em favor de uma pastoral secularizante, antropocêntrica e ecológica, que minimiza a necessidade de conversão à fé católica e impõe princípios imanentistas, conforme já denunciado por Frei Clodovis Boff, Card. Sarah, Burke, Zen, Müller e muitas outras autoridades eclesiásticas que não são tradicionalistas. O passapanista repete feito robô a norma da "obrigação de obediência ao Papa", ainda que o Papa Francisco tenha utilizado o poder papal para silenciar tradicionais e conservadores (com a Traditionis Custodes e o rebaixamento da Opus Dei, além do afastamento de Strickland) e, ao mesmo tempo, elevado progressistas como Hollerich e Tagle aos mais altos cargos do Vaticano.
Enfim, o continuísta passapanista é um ideólogo religioso. E, como todo ideólogo, ele se apega a um esquema abstrato que funciona independentemente da realidade concreta e de forma incondicionada, ignorando todos os fenômenos práticos e se protegendo com modelos ideais de conotação positivista. Esse fideísmo anti-intelectualista só se sustenta atacando o uso da razão pessoal e o discernimento de fé do fiel, que eles taxam pejorativamente de "relativismo protestante".

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