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Mostrando postagens de março, 2025

Magistério não-definitivo e a assistência divina na Igreja (de Nicolas Lisboa)

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  Quando se discute a possibilidade de erro no Magistério não-definitivo, que a Donum Veritatis evidencia nos casos históricos de falhas, a autoridade da assistência divina nessa modalidade de ensino é julgada, por alguns, como a justificativa da impossibilidade de uma opinião contrária, o que constitui um grave atentado à verdadeira natureza do exercício docente e ao grau de assentimento nessa forma de magistério. Aqui, essa ideia problemática de ensino divinamente assistido transforma o mestre autorizado em instrumento do Espírito Santo, como um tipo de inspiração imediata que o priva de qualquer erro ou o impede de propagar erros graves. Contudo, essa visão decorre de uma incompreensão tanto do papel do Espírito Santo na assistência ao ensino magisterial quanto da possibilidade concreta de erro do Magistério não-infalível. Antes de tudo, é preciso considerar que, em certo sentido, o continuísta e o sedevacantista estão corretos: a autoridade do Magistério não é uma expressão mer...

Frei Clodovis Boff, A crise da Igreja Católica e a Teologia da Libertação - págs. 21-22

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  A raíz da crise: a Igreja deslocou seu centro de Deus para o mundo Nossa tese se baseia nesta ideia simples: a Igreja declina porque a fé declina. De fato, a Igreja vive e sobrevive de fé. Falamos aqui de fé no sentido de uma fé pessoal, feita de experiência. Falamos, em suma, de uma "fé espiritualizada". Dependendo do grau dessa espiritualização, uma Igreja será tanto mais forte quanto mais for espiritual ou espiritualizada, e o contrário também é verdade. Que a Igreja Católica tenha um certo déficit de espiritualidade, mostra-o o fato de que q maioria dos buscadores de Deus vai procurar fora dela respostas às suas inquietudes espirituais. Estamos naturalmente aqui falando da fé cristã enquanto fé na pessoa de Cristo, filho de Deus, Salvador. Porquanto, como mostrou em definitivo Romano Guardini, a essência da Igreja é Cristo. Em outras palavras: Cristo é o supremo articulus stantis vel cadentis Ecclesiae. Isso significa que, se a Igreja vive de Cristo, ela será tanto mais...