Sim, um fiel pode reconhecer e rejeitar um ensino (errôneo) de um bispo (de Nicolas Lisboa)
Há uma propensão no meio católico de reduzir a autoridade docente da Igreja ao poder magisterial eclesiástico. Desse modo, a “autoridade eclesial” se confunde com o “poder eclesiástico”, estágio final de uma compreensão excessivamente institucionalizada e jurídica da Igreja. O fiel, nesse modelo instrumental de Igreja, é um mero receptor de decretos normativos da hierarquia e não tem capacidade de agir eficazmente contra um superior de forma autêntica. A distinção rigorosa entre Ecclesia docens e Ecclesia discens deixa em segundo plano a unidade orgânica entre o sensus fidei, fundamentada no corpo dos fiéis, e se concentra nos dons do Espírito Santo dados à hierarquia em seu ofício divino como uma forma de preservar a integridade do papel da autoridade. Esse redutivismo juridicista foi fortemente contestado por Adam Mohlr e São Newman, que retratam o papel ativo dos fiéis na consciência eclesial da fé, não somente como “consumidores” de conteúdo fornecido pelos clérigos, mas como parte...