Comentários adicionais sobre os erros de Carlos Alberto, parte I (de Nicolas Lisboa)

 

Uma das inúmeras coisas equivocadas ditas por Carlos Alberto na conversa comigo é que a acusação de certos setores tradicionalistas sobre uma suposta intenção judaico-maçônica nos sujeitos magisteriais que exercem o ensino do Vaticano II é um erro de princípio e uma forma de se colocar "fora do debate". Essa proposição é facilmente falsificada por qualquer um que tenha a mínima compreensão sobre hermenêutica eclesiológica e a metodologia teológica de interpretação dos ensinamentos magisteriais, mesmo que seja uma abordagem mais básica como a obra de Francis Sullivan (a questão fica ainda mais explícita e radical se chegamos a Karl Rahner).


Uma abordagem "multidimensional", que incorpore a tríade hermenêutica de intenção, ensino e recepção na análise do ensino doutrinário não definitivo, está aberta ao reconhecimento da possibilidade de corrupção (no sentido de deficiências na formulação de sentenças e também na decisão religiosa e moral de impor) não só nas proposições do ensino (como uma possibilidade remota e improvável), que são o objeto magisterial e a doutrina autorizada proposta, mas também na intenção autoral dos Padres Conciliares, que são os sujeitos magisteriais instituídos. Além disso, é claro, a recepção que, como confirma Cardeal Avery Dulles, pode ser negativa devido ao erro do ensino.

Desse modo, a "voluntas auctoris" (para falar de um jeito que Carlos Alberto gosta), como uma abordagem diacrônica, é tão passível de disfunção doutrinal quanto os ensinamentos não falíveis, estes a forma sincrônica da "letra" do texto. Não faz o menor sentido reconhecer a possibilidade de erro no exercício docente não definitivo como algo factível devido à natureza limitada da assistência divina nessa modalidade de ensino e, ao mesmo tempo, blindar moralmente a intenção autoral, seja ela coletiva (o Romano Pontífice e o Colégio dos bispos quando falam para toda a Igreja, ou os bispos reunidos em concílios, conferências) ou individual (Sumo Pontífice, que por missão divina propõe algo para toda a Igreja ou os bispos por missão canônica em suas dioceses) com abordagens principiológicas e teorias propedêuticas.

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