A História do Sacrifício e sua ligação com a Santa Missa




O QUE É SACRIFÍCIO?


    Antes de falarmos sobre cada um dos sacrifícios, vamos entender primeiro o que é sacrifício. Vou explicar a parte técnica e depois darei um exemplo, que vocês podem até achar esdrúxulo, mas, acredito que dá para compreender bem.
    
    É importante termos algumas coisas em mente: em primeiro lugar, a palavra "Liturgia" significa culto público dado a Deus pela Igreja. E, como cita o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, n. 2, o homem tem o desejo de cultuar a Deus. Veja: se o homem não cultua a Deus, ele cultuará outra coisa, como o dinheiro, o sexo, as drogas, alguma celebridade, etc. 
    Dar culto à alguém é prestar honra, ou seja, você reconhece que aquela pessoa é superior em você em algum ponto. Por exemplo: pense no seu cantor favorito. Se você gosta dele, você presta certa honra, pois você reconhece que aquela pessoa é superior a você em algo: cantar!

    Entendendo melhor o que é culto, vamos entender porque o culto dado a Deus é dado pelo sacrifício. Para um sacrifício acontecer, há de ter-se uma oblação e uma imolação. Explico a seguir:
    Na oblação, em primeiro lugar, você reconhece que é pequeno perante certa criatura, como disse anteriormente. Após isso, é algo NATURAL do homem dar culto à aquilo que ele considera superior. Então, ele vai e oferece aquilo que ele tem para o ser que será cultuado, para que aquilo só sirva (na cabeça do homem) para o ser que ele adora.
    Na imolação, o que fazemos para que isso só sirva para o outro ser? DESTRUÍMOS! Ou seja, aquilo é totalmente destruído, a ponto de que não vale mais nada para nós, mas, para aquela pessoa, vale muita coisa.

    Quer ver um exemplo? Pense novamente no seu cantor favorito. Pense que ele irá na sua cidade fazer um show, mas, o show é pago, e é um dinheiro que você conquistou com o suor do seu trabalho. Mas, como você ama aquele artista, e quer ver seu show, você vai e dá o seu dinheiro para ele, a ponto que, você não mais usufrui daquele dinheiro, mas, a pessoa que você deu para ver o show recebe esse dinheiro e fica para ele. Então, você ganha a sua graça: ver o show!
    Em outras palavras: você queria aproveitar aquela pessoa que você cultua, você deu a sua oblação (dinheiro), e aquele dinheiro foi destruído (entregue para pessoa). Para que, assim, você pudesse aproveitar as graças do seu sacrifício: ver o show!

O SACRIFÍCIO DA CRUZ


    Resumindo, o judaísmo oferecia sacrifícios, mas, esses sacrifícios eram inúteis, visto que o pecado original causou um mal infinito no mundo, por isso, o sacrifício tinha que ser perfeito. Mas, o povo oferecia animais para o sacrifício e Deus ODIAVA esses sacrifícios. Veja uma passagem do livro do profeta Isaías:

                       “Ouvi a palavra do Senhor, príncipes de Sodoma; escuta a lição de nosso Deus, povo de Gomorra: “De que me serve a mim a multidão das vossas vítimas?” – diz o Senhor –. “Já estou farto de holocaustos de cordeiros e da gordura de novilhos cevados. Eu não quero sangue de touros e de bodes. Quando vindes apresentar-vos diante de mim, quem vos reclamou isto: atropelar os meus átrios? De nada serve trazer oferendas; tenho horror da fumaça dos sacrifícios. As luas novas, os sábados, as reuniões de culto, não posso suportar a presença do crime na festa religiosa. Eu abomino as vossas luas novas e as vossas festas; elas me são molestas, estou cansado delas." (Is 1, 11-14)

    Então, Deus envia a vítima perfeita: Nosso Senhor Jesus Cristo! Afinal, ele poderia ser a vítima (pelo fato de ser um Homem perfeito), mas também o sacerdote (pelo fato de ser 100% Deus).   
    No sacrifício da Cruz, a oblação foi Nosso Senhor Jesus Cristo e, a sua imolação foi real: Jesus derramou até a sua última gota de sangue. Quanto amor! E claro, esse sacrifício deu frutos: nos redimiu do pecado, e também deu as 4 graças da finalidade do sacrifício: adoração a Deus, ação de graças pelos seus feitos, a expiação dos pecados (dito anteriormente) e a petição. 
    

O SACRIFÍCIO DA MISSA


    Visto isso, vemos que o sacrifício da Cruz foi perfeito, e redimiu os pecados passados, atuais da época e futuros. Mas, fica uma pergunta: como as pessoas futuras receberiam as graças para se santificarem pela Santa Cruz?
    Ora, era necessário que a Cruz se tornasse presente (obs.: não que ela acontecesse novamente, mas, que fizéssemos memória do seu sacrifício), para assim, recebermos as graças necessárias para sermos santos. 
    E tem mais: como precisamos dar culto a Deus, como vimos no início, o sacrifício é a melhor forma de demonstrar culto a Deus. Por isso, a religião de Jesus tinha que possuir um sacrifício como culto.

    Mas vocês podem me perguntar: mas Pedro, eu não vejo sangue nenhum ali. Aquilo é mesmo a renovação da Cruz? A resposta é sim, é a renovação do sacrifício. Vou explicar em detalhes:
    Na Missa, o mesmo sacerdote e vítima se oferece, pois o padre que diz as palavras consecratórias (Tomai todos e comei...; Tomai todos e bebei...) é o PRÓPRIO JESUS CRISTO! Por esse motivo, é o próprio Cristo que transforma o pão e o vinho em Corpo e Sangue, respectivamente. 
    Vejam só: a nossa oblação que levamos a Deus (visto a procissão das oferendas) é o pão e o vinho, e a imolação é incruenta, ou seja, não tem derramamento de sangue. Por isso que a Eucaristia é um mistério! (Hoc est Mysterium Fidei - Eis o mistério da fé).
    E, para consumar o sacrifício e receber as graças, comungamos do Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor. Este ato nós chamamos de manducação. 
    E mais uma vez, esse sacrifício é perfeito, afinal, prestamos culto, fazemos ação de graças, expiamos nossos pecados e fazemos nossos pedidos. 

"Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, permanece em mim e eu nele" (Jo 6, 56)   



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