Saul Kripke, Naming and Necessity






Saul Kripke foi um grande nome da filosofia no século XX, tamanha sua influencia positiva em vários filósofos, entre eles, Donald Davidson, Hilary Putnam, David Kaplan, não me deixam mentir. Foi ali no inicio dos anos de 1980 que surgiu a sua obra de maior magnitude, foi das chamadas conferências Naming and Necessity ( base para sua obra), deram inúmeras contribuições para filosofia, seja nos âmbitos gnosiológicos, lógicos, etc. etc.; Só pra termos ideia, nessa obra, Kripke nos trouxe uma teoria da referência, além de discutir a querela do necessário a posteriori e do contingente a priori, além claro, uma teoria anti-materialista do dualismo mente-corpo. 

Contudo, o meu interesse nesse pequeno excerto, é abordar de modo resumido, é claro, sua teoria da referência, que fora apresentada nas duas primeiras conferências de Naming and Necessity. É aqui, que Kripke propõe objeções as teorias ditas "descritivistas" dos nomes próprios "naturais" defendidas, por nada mais nada menos que Gottlob Frege e Bertrand Russell, nas palavras de Kripke, isso pode ser denominado de "concepção de Frege-Russell". Segundo essa Teoria, os nomes próprios referem-se a um objeto em virtude de esse objeto satisfazer uma descrição definida , ou seja, de que alguns, mas nem todos - nomes próprios são descrições abreviadas, ou também um conjunto de descrições definidas, explicitas em caras como John Searle e Strawson, para citarmos como exemplo,  associadas ao nome próprio por falantes. 

Seguindo as bases da logica modal, Kripke sustenta que: a referência de um nome próprio é conservada ainda que as descrições associadas ao nome se tornem falsas. Por Ex: ainda que descrições como "o autor da Suma Teológica", normalmente associada ao nome "Tomás de Aquino", se revelassem falsas a respeito de Aquino (caso fosse descoberto,  que o autor da *Suma* foi o seu irmão), ainda assim o nome "Santo Tomás de Aquino" se referiria a Aquino e não a quem quer que tenha escrito a Suma Teológica. 

Nessa ótica, o nome "Santo Tomas de Aquino" é um designador rígido, isto é, algo que designa o mesmo objeto em todos os mundos possíveis. Portanto, para Kripke, ainda que nomes próprios sejam associados por falantes a descrições, essas não tem nenhum papel a desempenhar na contribuição do nome à sentença expressa pela frase em que o nome figura. Para resolver tal aporia, Kripke propôs a substituição às teorias descritivas da referência, para, aquilo ele denominou de teoria da cadeia histórica da referência. De acordo com essa teoria, ou como ele prefere chamar em Naming and Necessity, "imagem", um nome refere a um objeto segundo as conexões que os atuais usuários do nome herdam daqueles que batizaram o objeto. Basicamente aqui temos um elemento de sucessão histórica, onde um determinado nome é fixado e mantido durante inúmeros e longos períodos, perpassado de épocas em épocas, chegando ao mundo atual.



                                                       
Naming and Necessity, de 1980.


Bibliografia;

Naming and Necessity , Saul Kripke.

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