A categoria primordial do ser social: trabalho, György lukács um pequeno excerto.
Nada mais simples que traduzir o método marxista e, expor em termos ontológicos as categorias específicas do ser social e seu desenvolvimento a partir das formas de ser precedentes, sua articulação com estas, sua fundamentação nelas, sua distinção em relação a elas, é preciso começar essa tentativa com a análise do trabalho como categoria Primordial. Dessa forma, compreendendo as duas articulações subjacentes à categoria laborial (CAUSALIDADE E TELEOLOGIA), podemos entender enquanto método, o próprio funcionamento dessa categoria. Para o Marxista Húngaro, o verdadeiro cerne do trabalho em seu caráter ontológico, está pressuposto na subcategoria do trabalho a (Teleologia). Nosso autor entende que o tipo de pôr teleológico não foi entendido nem por Aristóteles nem por Hegel, os dois maiores expoentes metafísicos que trabalharam com contundência a esta categoria, para Lukacs, o trabalho foi elevado a categoria cosmológica universal. Dessa maneira surge em toda a história da filosofia uma contínua relação concorrencial, uma insolúvel antinomia entre causalidade e teleologia.
Destarte, Lukacs define essas duas subcategorias da seguinte forma, para ele, cabe dizer que enquanto a causalidade é um princípio de auto-movimento que repousa sobre si próprio e mantém esse caráter mesmo quando uma cadeia causal tenha o seu ponto de partida num ato de consciência, a teleologia, em sua quididade ou wesen ( essência), é uma categoria posta, ou seja, todo processo teleológico implica o "pôr de um fim" e, dessa forma, numa consciência que põe fins. Pôr, nesse contexto, não significa, portanto, um mero elevar-se da consciência, como acontece com outras categorias e especialmente com a causalidade; mas, ao contrário, aqui, com o ato de pôr, a consciência dá início a um processo real, exatamente ao processo teleológico. Assim, o pôr tem, nesse caso, um caráter irrevogavelmente ontológico.
Lukács no entanto deixa claro os acertos de Hegel e Aristóteles, na página 41 de sua ontologia do ser social II, ele diz que:
E conclui dizendo que:
"Com efeito, tal essência consiste nisto: um projeto ideal alcança a realização material, o pôr pensado de um fim transforma a realidade material, insere na realidade algo de material que, no confronto com a natureza, representa algo de qualitativamente e radicalmente novo. Tudo isso é mostrado muito plasticamente pelo exemplo da construção de uma casa, utilizado por Aristóteles. A casa tem um ser material tanto quanto a pedra, a madeira etc." pagina 41; ontologia do ser social II.
Por fim, faço breves considerações ao que fora exposto no texto, o sentido ontológico descrito pelo húngaro – tornam-se postas de dois modos que se entrelaçam e se homogenizam, e essa mediação e até mesmo uma certa subordinação da casualidade ao pôr teleológico determinante, mediante o qual, ao mesmo tempo que se realiza um entrelaçamento posto de causalidade e teleologia, tem-se um objeto, um processo etc, que repete-se, se faz unitariamente homogêneo. Dessa forma, tanto a Natureza e o trabalho, meio e fim chegam, desse modo, a algo que é em si homogêneo: o processo de trabalho e, ao final, o produto do trabalho, O VALOR. No entanto, a superação das heterogeneidades ( consciência) âmbito gnosiológico e seu (objeto), âmbito ontológico, ou seja o material prestes a ser mediado, estabelece assim a unitariedade e a homogeneidade do porquê tem seus limites claramente determinados. Essa homogeneização pressupõe o reconhecimento correto dos nexos causais não homogêneos da realidade, a diferença qualitativa clara do sujeito-objeto ainda que em seu âmbito dialético abstrato.
Bibliografia;
Para uma ontologia do ser social II, de György Lukács.

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