Sobre o racismo, raça e racialismo e como o católico deve agir (de Riquelme Almeida)

 

Papa Pio XI, condenou o Nacional-Socialismo na encíclica Mit Brennender Sorge.

No meio católico de internet (principalmente entre os jovens), às vezes se encontra a ideia do racialismo aliado principalmente ao Nazismo/Nacional-Socialismo. Esses mesmos católicos (que vêem em seus círculos certas discussões e não procuram o aprofundamento) acabam por prejudicar a imagem do Catolicismo e exaltam uma postura muitas vezes fundada em uma forma de idolatria da raça aliada ao ocultismo nazista.

O texto a seguir é uma recapitulação sobre a história do conceito de raça biológica (não será tratado aqui muita coisa fora do evolucionismo), logo após, será comentado sobre o Catolicismo e sua relação com esse assunto.

O conceito de raça na Antiguidade era atrelado basicamente à regionalidade. Mesmo havendo formas de se descrever a cor de povos escuros ou claros como faziam os latinos (candidus, albus, fuscus, niger, e ater). Nesse período da História o conceito de raça ainda não havia sido atrelado a uma perspectiva biológica.



Foi apenas a partir dos séculos XVIII e XIX  (apesar de certa presença em séculos anteriores) que o conceito de raça se tornou um tanto biológico e aí surge o racialismo com a noção de superioridade racial. Nessa Era se tem uma espécie de ocultismo (o ariosofismo) desenvolvido por Liebenfels e Guido Von List que serviram de muita base ao Nacional-Socialismo principalmente a Himmler e suas correntes.

Pelo século XIX também havia a escala de fósseis de hominídeos e até certa comparação destes tipos "primitivos" ao negro como foi com o Homem de Grimaldi.

Com esse e outros eventos como a teoria da OOA (Out of Africa) e o estudo da genética populacional, muitos biólogos lutaram contra o racismo científico como Lewontin, Montague Cobb (um importante biólogo negro) que estudou até mesmo o caso de Jesse Owens (pois diziam que ele por ser negro tinha um músculo na panturrilha diferente do branco, que foi desmentido por Montague).



Com o avanço da genética, o achado de mais fósseis e a antropologia foi possível abandonar a noção da existência de raça determinista.

Comparando um aborígene australiano e um negro, ambos são aparentes, não? Mas se for analisada a história genética destes povos se notará que aborígenes australianos não têm nada relacionado a africanos subsaarianos, são mais semelhantes a outras populações no sul da Ásia e Oriente Asiático.

E é nesse exemplo (dos aborígenes australianos) que é desmontada a noção de raça (como uma sistemática de características físicas), pois povos sem nenhuma relação genética têm características físicas idênticas (alguns povos melanésios são inclusive mais escuros que africanos).



As características físicas dos povos(que mudam algo em pequena escala acidental) são unicamente geradas pela seleção natural.

O leitor deve estar se perguntando o porquê de querer destruir o conceito de raça como categoria biológica. Simplesmente a resposta seria porque a raça como biológica ou natural não tem base na espécie humana cuja variação genética é menor do que a de uma mosca-da-fruta.

E também é necessário destruir o misticismo racial que tenta se infiltrar e achar bases na biologia, junto com a idolatria da raça.

O nacionalismo, apesar de seus méritos, pode vir se tornar algo problemático, como o Euromaiden, quando se torna método de opressão dos não incluídos ao herrenvolk e dos maus tratos a pessoas "mistas" sendo retratadas como mischling.

É dever do católico se opor a toda idolatria racial e a todo misticismo ou esoterismo que use a raça como parâmetro.

O católico deve agir como age a Igreja com sua luta incisiva contra o racismo (reforçado sempre o monogenismo que se tornou científico).

É necessário sempre ser contra o racismo em qualquer grau e forma, e é também necessário alertar os jovens católicos que têm um flerte com essas idéias sobre seu perigo (havendo até incompatibilidade com o Catolicismo) e sua inverdade.

Como diz São Paulo em Atos dos Apóstolos: "De um só Ele fez todos os povos" (Atos dos Apóstolos; 17:26)


Documentos católicos para leitura: 

Mit Brennender Sorge, encíclica de Pio XI

Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II




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